Novo disco do Paralamas do Sucesso, ‘Sinais do sim’ traz tom otimista

O lançamento do Sinais do sim, o 13º álbum dos Paralamas do Sucesso, que marca o retorno da banda aos estúdios após hiato de oito anos, não chegou a causar polêmica, mas tem sido alvo de considerações — desde o título — , pelo aparente tom otimista, levando-se em conta os tempos difíceis por que passa o Brasil, em diferentes áreas.
Bi Ribeiro, baixista brasiliense, que forma a banda com Herbert Vianna, um paraibano, amigo de adolescência, guitarrista, vocalista e principal compositor da banda; e o baterista carioca João Barone, não foge do assunto, mas deixa claro que não foi nada premeditado. “Tudo o que gravamos é resultado de algo espontâneo. Estamos vivendo um momento terrível no país, e, obviamente, não compactuamos com isso”, afirma.

Segundo Bi, o longo período sem um novo disco de estúdio não foi premeditado. “Já convivíamos com uma agenda de shows lotada, e quando vimos estávamos fazendo 30 anos de carreira. Então gravamos um DVD reunindo os grandes sucessos da banda e emendamos com nova turnê. Nos últimos anos estivemos praticamente o tempo todo na estrada”.
Bi diz que Herbert Viana continuou compondo bastante, mas eles não viam urgência de levar músicas novas ao público, até porque iria ser lançada uma caixa com 18 discos da banda. “No fim de 2016, porém, decidimos chamar o Mário Caldato Jr. para se juntar a nós nesse novo projeto. Queríamos sair da zona de conforto que vivíamos, tendo como produtores dois grandes profissionais, o Liminha e o Carlo Bartolini; e enfrentar um desafio. Durante as gravações, conhecemos melhor o Caldato e demos carta branca para ele interferir no trabalho, trazendo ideias novas”, conta.
Como o produtor tinha outros compromissos e precisou voltar aos Estados Unidos, no decorrer do registro do CD, Bi foi algumas vezes a Los Angeles. “Estive lá, numa das vezes, no começo das mixagens, pois precisava de um parâmetro. Conhecia mais detalhes das músicas do que ele. Sugeri, por exemplo, resgatar as melhores vozes. Ele foi sempre receptivo às sUgestões”, ressalta.

Em Sinais do sim ,oito são composições próprias — músicas do trio e letras de Herbert — , dentre as quais, a que dá título do disco, Se deixe levar por mimTeu olhar e Contraste e Itaquacetuba. Já na relaxada Sempre assim, que fecha o set list, mostra os Paralamas, na maturidade, ainda fiéis ao sonho de esperança e renovação.

Das outras três faixas, uma delas Não posso mais, é um presente de Nando Reis, companheiro de geração, com letra em que o medo dá lugar ao amor; e contrasta com Medo do medo, da rapper portuguesa Capicua. Os versos são atualíssimos e num dos trechos diz: “Medo de Deus/ E medo da polícia/ Medo de não ir para o céu/ E medo da justiça/ Medo do escuro de novo…”. Há ainda Cuando passe el tambor (Gustavo Cerati), hit da banda argentina Soda Stereo, com a qual Herbet, Bi e Barone reiteram a estreita relação com o rock latino-americano.